sexta-feira, 6 de junho de 2014
Lembre de respirar!
-Então,por que dói tanto gostar de alguém?
Sandra coçou a cabeça,impaciente e pensou no que poderia responder. Seu pequeno neto,João de oito anos apenas, aguardava avidamente por uma resposta.
-Por que voce está me perguntando isso filho?- disse Sandra,surpresa com a precocidade do garoto.
-Por que...- ele parecia envergonhado,as bochechas gorduchas subitamente ruborizadas- A Alice é linda né. E eu gosto tanto dela, mas tanto mesmo, que se ela fica perto esqueço até de respirar- disse ele, com uma expressão atormentada nos miúdos olhos verdes- Mas acho que ela não gosta de mim- concluiu ele desapontado, o lábio inferior pendendo num quase choro.- E tá doendo aqui dentro, vovó.
Sandra sentiu ímpeto de dar gargalhadas com aquele pequeno drama infantil e o romântico exagero de João, herdado do avó Rafael, só podia ser.
Ela ainda não tinha uma resposta para o neto. Como explicar a ele que, muito provavelmente, sentiria aquela dor novamente? Que nem sempre as coisas eram como queríamos e nos restava apenas a resignação?
Sandra abraçou então o pequeno e plantou-lhe um beijo na testa, meio enrugada de preocupação e finalmente lhe disse:
-Dor de amor é a melhor dor que existe- e ante o ar de confusão estampada no rosto do neto, completou- Por que isso significa que estamos vivos. E um dia essa dor passa e a gente aprende a respirar de novo,eu juro.
terça-feira, 4 de março de 2014
Correspondido(?)
As palavras que encontro flutuam no vento feito sonhos
desprezados, encolhidos pelo orgulho. Sempre que tento explicar a mim mesma ,o
que são essas pontadas absurdas quando ele suspira, parece patético. Desisto de
soar verdadeira, e me abandono á não compreensão. A alternativa, da aceitação,
me aterroriza. Minhas muralhas se esvaem quando sua risada rouca quebra o
silencio insosso e eu gostaria de expurgar isso de mim. Não há possibilidades
que isso aconteça e talvez eu não mereça. Tanto. Talvez, se eu fosse menos
assim, seus olhos procurassem mais a mim.
É engraçado como não o suporto e o anseio insensatamente.
Jamais se concretizará, eu sei. Meus lábios emudecem ao som da palavra
proibida, e ele nunca irá ouvi-la de mim. Algum dia ele saberá. Mas não agora.
Não de mim. Ver negado o direito de estar ao seu redor e apreciar sua afeição,
mesmo que contida é algo que eu não
suportaria. Preferível é que eu me afaste e abandone o “talvez” para trás.
Mantenho com cuidado em minha mente desorganizada o gosto das suas mãos cálidas
nas minhas e o petulante levantar de sobrancelhas.
Algum dia talvez ele olhe para trás e perceba que me amava.
Mas os tempos serão
outros, quando eu já tiver abandonado sua lembrança num lugar desolado qualquer
no meio do caminho até a felicidade.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Luares roucos
Acordo a cada luar desperdiçado com um gosto
Amargo a embotar a inocência
Há tantos motivos para se dizer adeus
Mas as palavras se prendem a garganta
E recusam-se a ser independentes
Quando teus olhos se fecharem a noite lembra do meu rosto
Que se desfaz na distancia entre nossos olhos
Tão perto e tão longe você insiste em permanecer
Eu espero o amanhecer bater na porta para expulsar os pesadelos
Sem você ao lado acolho meus medos e tudo se esvanece serenamente.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Crescer
Eu continuo.
Tentando.
Me enganando.
Esperando que a solução caia dos céus
E venha com manual de instrução.
Ninguém te diz como é complicado crescer e fingir que se importa com o futuro.
Nada parece importante quando
Se espia pela fechadura dos segredos.
Perdi as chaves no meio do caminho até seu sorriso.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Murmúrios...mmmm
Eu implorei por uma chance a mais
Um sinal de que tudo ficaria bem
Mas tudo que ganhei foram feridas na alma,
Orgulho arranhado e lembranças ruins
Chorei dilúvios e me conti em represas de auto-proteção
Sem permitir que os sentimentos fluissem livremente nas palavras
Como um animal ferido recuei acuada aos cantinhos
Temendo minha própria consciencia
Seu olhar decepcionado persegue meu bom senso
Como um fantasma vingativo
E eu me nego a desfalecer se lutar,tentar,me desapontar
E não importam os medos infantis
O espírito de liberdade cochichou no meu ouvido que quer casar comigo
Aceitei.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Flores e armaduras
Em contemplações familiares, reviro cada passado singular
Que seus olhos de águia insistem em não admirar
Espero inconstante por rastros de uma explicação racional
Que de sentido a esses insultos emergindo da garganta
dormente
Ele tem gritado e se incomodado por coisas
Tão absurdamente insignificantes que não conseguem interromper
Seus protestos, e nem mesmo se recorda por que começou
E o mundo faz a retrospectiva de suplicas bem direcionadas
Mas não encontram o caminho de volta pra casa
Sua compaixão se escondeu numa armadura e não
Protegeu de bom grado meu fardo desencontrado
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
De mãos dadas
Em cada grito
Escondi um sorriso
Voce pode encontrar
Se agarre as beiradas
Do prédio em ruínas
Ruindo em indiferença
A cada dia os olhos
Se entediam em esforços
De visualizar a saída
Em neón luminoso
Só há um rosto
Borrado e tropego
Tropeçando em meus ideais
Mas é a única saída
Encontrei alguém
Atalho fora da estrada
Vou fugir a pé
De mãos dadas
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