sábado, 13 de abril de 2013

O diário de Anne Frank



Diários de garotas são fúteis  com observações insólitas e desnecessárias sobre sua rotina e pontuadas com exclamações e coraçõezinhos, certo? Não no caso de Anne Frank. Escondida com sua família – a adolescente, os pais e a irmã -, e a do Senhor Van Daan – ele, a esposa e o filho Peter em Amsterdã durante a ocupação nazista nos Países BaixosAnne Frank, com treze anos de idade, conta, em seu diário, a vida deste grupo de pessoas. Eu tinha treze ou 14 anos quando li esse livro, mas nunca me fugiu da  memória o fato do diário dela não ser pessimista ou uma junção dos fatos históricos. É simplesmente o relato de uma garota que buscava no diário uma forma de passar o tempo naquele lugar claustrofóbico e tedioso. Ela chega a dizer no diário que teve a ideia de escreve-lo para que posteriormente fosse publicado, depois de ouvir uma notícia no rádio a respeito. Como qualquer garota de treze anos ela se preocupa com a aparência e o fato de não poder ir a uma sorveteria por exemplo,já que os nazistas rondavam seu esconderijo como urubus fétidos á espera de uma oportunidade. Apesar disso, ela tenta conservar uma rotina normal estudando em horários específicos e tendo longas conversas com o filho dos Van Daan : Peter. Quanto ao que aconteceu com Anne Frank depois, confira aí um resumo que eu peguei ali da Wikipédia:
O grupo retratado no livro permaneceu no esconderijo por dois anos até que, em 1944, um delator desconhecido revelou o esconderijo às autoridades nazistas. O grupo foi, então, levado para campos de concentração. Anne Frank e sua irmã Margot foram transferidas para o campo de Bergen-Belsen, onde morreram de tifo em março de 1945.Otto Frank, pai de Anne e único sobrevivente da família, retornou a Amsterdã depois da guerra e teve acesso ao diário da filha. Seus esforços levaram à publicação do material em 1947. O diário, que foi dado a Anne em seu aniversário de 13 anos, narra sua vida de 12 de junho de 1942 até 1 de agosto de 1944. É, atualmente, um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Passarela não é comida!



E então, meu design te agrada?

Minha silhueta está magra o bastante?
Sabe aquela fome que eu tinha antes?
Botei tudo pra fora
O que me importa agora
É sempre estar cada vez mais magra
Apenas um risco, quase nada

Viva a revolução!
Coma um, dois, ou três pães
Fuja das regras, da rotina
Fuja dessa sobrevida

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Apenas crianças


O estomago dava cambalhotas no mesmo ritmo do carro que  avançava velozmente, impulsionado pelo atraso. De repente o trajeto pareceu curto demais quando o garoto avistou a escola ao longe. Uma gota de suor escorreu pela testa e ele mais que depressa tirou os óculos fundo de garrafa para corrigir isso. Não podia parecer nervoso. Isso apenas piorava as coisas. Numa freada brusca ele se deu conta que haviam chegado, e logo sua mãe apareceu na porta oposta, impacientemente convidando-o a descer. Já na calçada ela lhe deu um beijo melado na bochecha e, assim que ela virou as costas ele limpou a marca do batom e da maquiagem barata que a mulher havia deixado em seu rosto alvo. As bochechas logo se ruborizaram e o medo que tomou conta dele parecia um cavalo galopando em suas temporas. Dois, tres, cinco passos, e até a calçada parecia estreita demais agora. Não pode evitar um suspiro quando a tia do portão, atenta ao sinal que havia acbado de tocar, gritou seu nome e lhe ordenou que parasse de enrolar e entrasse logo, a aula já ia começar! Mas ele não queria entrar naquele lugar. Algumas crianças não merecem ser chamadas assim.Algumas crianças são cruéis.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Diário de uma paixão


Sabe aquela história de : "o livro é sempre melhor que o filme"? Nesse caso, prefiro o filme. Sério. Não sei se é por que esse foi o primeiro livro do Nicholas Sparks e o bichinho ainda estava aprendendo . O fato é que assistindo o filme me emocionei muito mais. Talvez seja por que no livro o autor enfoca muito a Ellie e não tanto o que eles viveram juntos. Mas apesar de tudo tem uma história bonita, meio melancólica e, segundo Nicholas Sparks, baseada na história dos avós de sua esposa, e quando o livro foi escrito já estavam juntos há mais de 60 anos.Para quem não leu, eu explico: o livro conta a história de um cara pobre e uma garota rica que se apaixonam no verão de 1946. O verão acaba, cada um segue sua vida, e em um belo e ensolarado dia eles se reencontram. Ah e...naaaaão. Melhor eu não contar mais nada senão vai estragar o final. Acho que o fato de ser baseado em fatos reais cala a boca daqueles céticos que diriam: "Hunf"Uma história de amor como essa só existe na ficção." E tome na cara, por que vários outros livros do Nicholas também foram baseados em sua realidade familiar. Meio louco, né? Eu não queria ser parente desse cara não, sinceramente.A verdade é que todos os seus livros são meio piegas e clichês, sejamos francas, mas vende bem...

E você? Também acha que os livros do Nicholas Sparks são muito clichês?

sábado, 30 de março de 2013

Apenas sorria




Sempre escondendo traços de veneno

Serpenteando na face pálida

Tolas amarras presas ao chão

Impedem a fuga

Pra longe dessa fingida doçura

quarta-feira, 20 de março de 2013

Sexo Frágil (?)


Ela se encolheu no canto mais absurdo da cama estreita esforçando-se em conter os murmúrios suplicantes que rompiam sua armadura. Fisgou um travesseiro velho e manchado no meio da cama e afundou o rosto nele  numa tentativa de abafar os soluços involuntários. Naquele lugar as paredes eram finas como celofane e abrigavam ouvidos  entediados e sutis que esgueiravam-se  por toda parte á procura de algo interessante. Comprimiu os olhos inchados e vermelhos resultado das noites de insonia, quando seus fantasmas do passado vinham aterrorizá-la apontando cruelmente para seu peito e lhe relembrando sua culpa. Sempre que fechava os olhos para dormir os pesadelos não permitiam que descansasse. Quando finalmente conseguia se livrar daquele emaranhado de lembranças ruins presentes nos sonhos e despertava para a realidade, se encolhia em si mesma como um passarinho frágil e ferido á procura do ninho. Ela então abriu os olhos cautelosamente como se temesse o que seus olhos iriam presenciar e ergueu as mãos tremulas, examinando-as. Foi como se visse o sangue nelas novamente.

terça-feira, 12 de março de 2013

Cicatrizes


Era a terceira vez que Marcelo coçava a cicatriz na sobrancelha direita e admito que aquilo já estava me incomodando. Afinal, ele só fazia aquilo quando estava realmente preocupado com algo, e ao analisar o olhar abandonado que ele mantinha nas pupilas esverdeadas meu estomago deu uma cambalhota. Apertei suavemente sua mão para lhe transmitir certo conforto, mas não sei se fui convincente. O que eu poderia dizer de reconfortante naquele momento?  Ele mantinha o olhar fixo na parede pintada em tons austeros de cinza e bege, e eu nem me atrevia a interrompe-lo. 
Era como se ele estivesse em transe, numa especie de frágil casulo de proteção e eu temia romper aquilo com uma simples palavra mal colocada. Finalmente o médico apareceu e não pude evitar soltar um suspiro de alivio. Nossa espera finalmente teria fim. Marcelo se ergueu da cadeira subitamente e se dirigiu ao médico como se eu nem estivesse lá. As rugas de preocupação que haviam surgido timidamente em sua testa momentos atrás haviam cedido lugar a um ar quase infantil de expectativa em seu rosto moreno.
-E então?- perguntou ele, mal se contendo de ansiedade.
- Ela está sedada agora, e seus sinais vitais estão melhorando...- o tom do medico era cauteloso.
-Quer dizer então que ela está bem?- a impressão era de que ele dizia aquilo mais para convencer a si mesmo.
- Na verdade, essa melhora é temporária. Podemos aplacar um pouco sua dor, mas a doença já está muito avançada e não há mais muita coisa que possamos fazer.
O que mais doeu em mim foi o silencio de Marcelo. Eu não podia ouvir ou ver mais nada. Só conseguia enxergar á minha frente o amor da minha vida tentando recompor os pedaços da sua alma. Movida por esse amor desmedido me levantei e o envolvi em meus braços, tentando dar lhe um pouco de paz á medida que ele punha pra fora tudo que havia reprimido há meses, chorando de modo silencioso em meu ombro, choro interrompido apenas por seus soluços desesperados. E  cada gota de lágrima que transbordava em seus olhos era um pedaço de mim se esvaindo na tristeza dele.